Palhaços Também Choram (Reescrito)

Palhaços também choram

Apagaram-se as luzes. O sol curva-se a lua dando espaço aos luminares. O palco que dantes aspirava e inspirava risos insolitamente engolfa no alarmante silêncio. A tenda grandiosa criada para doar alegria, subitamente se esfria no crepúsculo, ao findar de outro dia, quando aplausos, sensações, humor e crianças dormem, é quando o artista rompe a alvorada, isolado no obscuro.

O raiar acarreta outro amargor. Ser o personagem, o mágico, a felicidade. A aflição de reinventar um Eu a cada novo espetáculo e de sucumbir após o encerramento, diante das cortinas que indicam o término da hilária e solitária dramaturgia.

É no exílio. Perdoe-me! No camarote. Que as manchas surgem. O borrão, a tinta, a máscara, o artista se purga em lágrimas e o espelho parece ofender, dizer, falar… Ofender, dizer, falar! Seu único desejo é tal liberdade, a simples humanidade de poder brigar, falar mal, gritar, gritar! Exausto dessa solidão mundana, reza estar sozinho de si mesmo, libertar-se do personagem, desprender-se, esvaziar-se, GRITAR, GRITAR!

Ah! Quão traumático é sorrir quando se precisa chorar, divertir quando se quer prantear, abraçar quando não mais goza o prazer de amar.

Contudo, amanhã as chamas do picadeiro serão ateadas novamente, todos virão de todos os quantos e assistirão ao espetáculo do artista. Cabe ao itinerante vestir o surrado “uniforme” colorido, a peruca, o nariz, o sapato… E pintar o rosto de branco, vermelho, palhaço… Fantasiar que a noite foi um surto, um acaso, uma alucinação, que não sente dor dos artistas de ao invés de viver… Interpretar!

Velho Marujo

O Louco

Deus! Conserve-me assim, imprevisível. Peço-lhe, meu Pai, que possas permitir que viva sempre como um desvairado, que enxerguem-me como um louco, que pretendam queimar-me na fogueira da incompreensão, e façam votos de perseguirem-me por todo o tempo enquanto insistir em respirar.

Insanamente, suplico pela a masmorra! Que os “normais” clamem e reivindiquem os restos mortais de meu corpo como prova física do sacrifício. Que meus pedaços, espalhados pelas vias públicas do preconceito, exemplifiquem o crepúsculo intenso reservado a todos que comentem as mesmas mazelas que cometi. Não peço-lhe que sejam piedosos comigo, mas desejo o fogo, a espada, o medo, o perigo. E quando no topo do monte, olhar meus ditos amigos, a virarem suas faces como sinal de vergonha, e presenciar parentes a resmungarem protestos, por ter sujado o sobrenome da família, ao receber o escarro em meu rosto, daqueles que prometiam aliança incondicional e eterna. Neste dia, serei o doido mais varrido que existiu, entretanto, o homem mais feliz que a fútil sociedade jamais deslumbrou existir.

- Vamos, vermes invejosos e traidores, queimem-me! Apaguem da história meus vestígios, arquivem meus escritos, tranquem-os em baús, afundem-os no profundo mar, limpem da mente dos que leram minhas subversões a memória da minha existência, que todos esqueçam, que todos subestimem, que todos estimem e torçam pelo colapso da minha psique. Vão! Façam  o que lhes é devido, cumpram sua missão, matem-me! Evitem que outros tantos se subvertam, e se corrompam com as palavras do “bruxo”. Mas, saibam que a fogueira jamais queimará meu intelecto, continuarei psicológicamente vivo nas lembranças de meus seguidores. Pois, mata-se o corpo. Permanece as idéias!

Não. Não peço-lhe que me respeitem, que estendam tapetes, que reconheçam meus escritos ou aplaudam meus discursos. Não cobro aceitação, compreensão, reconhecimento. Quero apenas que continuem a me desprezar, a esculachar-me, para dedicarem o pouquíssimo tempo que nos resta para me condenarem a forca. Quero as vaias, os tomates, os criticos. Quero minha cara estampada nos jornais, como o amontinador, o baderneiro, comunista, falador. Quero ser perseguido como perseguiram a Buarque, Veloso  e afins. Desejo o ilhamento, o esconderijo, o underground. E quando me perguntarem o por que de tanta clausura, responderei:

- Se ser escorraçado, amaldiçoado e  morto como um louco é o preço e a recompensa de um livre pensador. Se assim o for. Mate-me, por favor!

Velho Marujo

A Nova Face da Mesmice

Sinto que estou ficando chato. Isto, velhaco, enferrujado, carente de senso de humor, insensível. Sinto que não escrevo como antes, algo entravou na minha escrita, estou previsível, meus textos insuportavelmente lógicos, minha poesia extremamente comum.

Sinto meus pensamentos atrofiados, minha capacidade de inventar temas, ultrapassada, nem ao menos minhas composições se salvam, até a música parece tão complexa, ao o aproximar do crepúsculo meu “talento” se dizima, em partes, sou homem fragmentado e retalhado pelo caos cotidiano, a cidade tem me feito mal, talvez seja este ar impuro, o transito, o barulho… Ou, talvez seja apenas eu mesmo, que permaneço sempre o mesmo, ao invés de renovar.

E busco insaciavelmente por renovo, anseio novidades, um assunto diferente, uma discussão inédita, cansei de ser repetitivo como a Sessão da Tarde, não há nada de novo no Novo Mundo, esta tal nova ordem mundial de longe parece outro velho conceito conspiratório, o sobe e desce da bolsa permanece na eterna degola, a desigualdade continua sendo uma questão social, os políticos ainda roubam, os homens traem, as mulheres mentem, e a humanidade ainda insiste em criar um método eficaz para o cataclismo global, em suma, nada há para se contar, tudo o que é, já foi, e tudo o que já foi outra vez há de vir.

Sabe, deve ser por isso que me sinto assim, como quem nada tem para dizer, pois parece que tudo o que disse, já foi dito por alguém, e que no fundo todo mundo sente o mesmo.  É a nova face da mesmice, um novo conceito de reencarnação, no qual até o que no presente escrevemos é velho, tudo já foi escrito por alguém ou por nós mesmos em outra vida, tudo o que acabo de escrever já estava escrito, apenas vivo um momento de djavú literário, em mim não há talento, apenas psicográfico as lamurias e as repetições de outrem. Mas, se tal coisa for assim, qual a graça da vida? E a imprevisibilidade? E o acaso? Não, prefiro acreditar que uma novidade existe e que, infelizmente ainda não raiou que, há algo novo para ser feito e que, o livre-arbítrio continua sendo a base fundamental para a liberdade.

Há uma estória que ninguém nunca contou, há um livro que ninguém nunca leu, há uma poesia que ainda jamais foi escrita. Ainda há novidades, basta-nos inovar!

Velho Marujo

Escrevendo…

Olá caros amigos!

Deparei-me devaneando (pra variar) sobre alguns porquês, e imerso em uma áurea de nostalgia e reflexão, perguntei-me, o porquê de manter este vicio insaciável que é o de escrever.

Não me considero (na verdade sei que não sou) um escritor excepcional e talentoso, sinceramente, estou longe de ser tarjado como poeta que detém o dom, mas desde que comecei este blog, recebi inúmeros elogios de pessoas com um senso critico extremamente aguçado, gente que entende da arte e que escreve mil vezes melhor. Ora, uma coisa é o “perna de pau” do bairro dizer que jogo bem futebol, outra, é o Pelé falar isso. No entanto, o pouco que sei, aprendi lendo outros que escrevem muito mais do que eu, e que dominam muito mais está maravilhosa arte, e alguns deles conheci através deste blog.

Nessa esfera virtual, conheci pessoas que apesar da ausência de convivo, as considero, gente que aprendi a admirar através de suas expressões, pensamentos, idéias, textos, poemas… A estes, escrevo este legado, não me preocupo com multidões, sinto-me completo e feliz com estes “poucos” que gostam e lêem os meus textos. A vocês digo que escrever é muitas vezes para mim, exorcizar a alma, no inicio principalmente, resumiu-se nisso. Hoje, escrever é exorcizar a alma e libertar outras tantas cativas, esta ferramenta tão simples, nos dá o poder de quebrar os grilhões que aprisionam mentes cansadas e exaustas de pensar, alienados e súditos.  Nossas pequenas vozes separadas quando se juntam se tornam gigantescas, tamanho o barulho que podemos fazer.

O que quero dizer (ou que pelo menos tento) é que amo escrever, amo ler, e amo estar por aqui, neste recinto, escrevendo muitas vezes cartas destinadas a ninguém, mas que mesmo sem querer, sempre acabam falando a alma de alguém.

Velho Marujo

Dance

Viva a vida com dança, baile aos pés daquele que lhe formou, dance… Em meio às guerras e lastimas de um mundo sombrio, ilumine-o com tua dança, ilumina-te a si mesmo. Dançar, assim como cantar, são verdadeiros luminares da alma, pessoas que são capazes de ainda dançarem neste planeta em constante decadência, são capazes de provocar o inestimável, alegrar corações, encantar olhares antes perdidos.

Encontra-te a si mesmo.

A cada movimento, a cada esticar de braços, a cada salto… Leve a vida na leveza de teus passos, e passeie por ela… Tudo pode ser mais vivo e belo se as pessoas souberem dançar e cantar em meio à guerra. Quão linda é a vida daqueles que dançam, cantam e que vivem o segundo, os minutos, as horas, pois os dias já não cabem mais neste contexto, o futuro é um mero esperar, é o bocejar de uma criança, longo, longo… Parece eterno para quem de longe admira.

Dançar, espreguiçar-se, estique-se…

Teus ossos não durarão mais um milênio, teu corpo irá se findar antes da consumação dos séculos, tua vida ficará mais lenta, teu andar ficará mais lento e os dentes cada vez mais amarelos, por isso, dance… Dance em tua mocidade, na tua adulta meninice, por mais rugas que o tempo tenha lhe premiado, a criança que habita em ti jamais envelhecerá, a alma é a eterna solidez da juventude, a vida vale este momento e este momento vale uma vida.

Sei que dirás estar velho demais para se divertir tanto assim, que nada, a maior bobeira dos homens foi ter inventado está “pratica” vida moderna, onde temos sempre a sensação de estarmos sendo vigiados, e que olhares pecaminosos nos julgarão pelos feitos impensados. Besteira. Quer saber, deixe de ser bobo, arraste os móveis da sala e dance, dance, sozinho ou acompanhado, como se está fosse tua última valsa, teu último samba, o último soul… Convide os vizinhos, faça uma festa, abrace teu amor, pois do outro do outro lado para onde todos irão, talvez não haja mais nem música, nem dança. Apenas o silêncio…

Dance!

Velho Marujo

Ele Busca…

Incansavelmente, Ele busca como quem está faminto, cansado, como quem deseja uma cama para deitar, um prato de arroz e feijão, como quem sonha em ter um lar. Ele busca por todos os cantos dessa grande sala, a qual nomeamos mundo, pelos 4 cantos do planeta. Ele busca não por soldados valentes, por exércitos, por frotas fortemente armadas. Ele não busca por quem esteja pronto, preparado, bem treinado, capacitado, Ele não busca pelos dispostos, pelos os que não temem a nada, pelos corajosos, pelos perfeitos… Não busca por condições humanas que facilitem a missão, que facilitem o resultado positivo. Ele não quer os melhores, os primeiros, os mais sábios e letrados…

Ele busca seres imperfeitos e insignificantes como eu e você, aqueles os quais a sociedade escarrou em suas faces, os mais podres e pecadores, os considerados insociáveis, insuportáveis, malditos, pobres e desprezíveis. Ele busca aqueles que são tratados como vermes inúteis, qual o mundo vomitou de suas entranhas, os que olham para si mesmos e enxerga uma fraude, um rabisco mal feito, uma caricatura falsificada da imagem do Criador, cujos religiosos julgam como ímpios insolúveis, causas perdidas, farsas, apostas mal calculadas

Ele busca aqueles que são pisados como baratas: analfabetos, larápios, assassinos, prostitutos, comedores de lixo, mendigos, viciados, miseráveis, traidores, mentirosos, corruptos, estupradores, falsários, alcoólatras… A escória da sociedade.

Ele busca aqueles os quais as elites mataram, pois assim como esses, Ele morreu pelas mãos das mesmas elites. E morreu por todos nós!


Velho Marujo

Devaneio

Não darei aos porcos as migalhas da minha vergonha, antes limparei a mesa, sacudirei a tolha e varrerei o chão, a tal ponto de que vestígios sejam meras lembranças, de que provas, sejam arquivadas no mar do esquecimento, que o sangue sacrificado me condicione a uma nova situação de honra, de dupla honra.

Meu corpo por deveras sente o peso do pecado, é como se a minha pele quisesse fugir de mim, como se meu espírito tentasse se apartar da alma, tamanha é a insolidez dos meus caminhos, mas por está afirmo, por tais trilhos não mais me obrigarei a passar.

Cristo viveu, vive e viverá em mim, o meu erro era continuar vivo. Ele sempre esteve dentro, mas fora continuara a matá-lo, nos botecos, nos prostíbulos, no barro… Meus pés demasiadamente pisaram o barro do inferno, sujei meus sapatos na lama, brinquei de roda na festa dos malditos hospedeiros, devaneei como devaneou Davi, mas hoje, eis me aqui. A lhe pedir perdão!

VelhoMarujo

Daí-me convicções!

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Sobreveio-me de súbito assalto, e confesso estar desconexo acerca de minhas próprias decisões. Minha mente esta inquieta por respostas, meu espírito anseia por certezas, luz e convicções.

Por dias tenho apreciado o discurso dos tais convictos, e admito ser réu de um sentimento de inveja, “inveja santa”, se é que tal termo exista. Admiro esses cujas palavras parecem se eternizar, cuja conduta não transparece sombras de duvidas, discrepâncias, inconsistência. Estes cujas interrogações parecem inexistir, inabaláveis, seus conceitos são pedras de esquina, pedras angulares.

Oh! Quão bom seria saber o porquê de tudo o que me aflige. Quão imensurável seria apegar-me a alguma verdade, seja ela qual fosse apenas, pelo prazer espiritual e humano de ter algo em que acreditar.

- O que ontem acreditava… Não mais acredito. E o que hoje não acredito, amanhã será minha convicção.

Não. Quero respostas. Quero um ideal, um sonho, um motivo, uma explicação. Um caminho a seguir. Qual seguir?

Dirão: “Tantos outros antes de ti, morreram pelas mesmas respostas, quem és tu para entender o fundamento destes mistérios?”.

Direi então: – Ainda que o corpo desfaleça o espírito, contudo, se manterá inquieto, até que pelo menos uma única verdade possa ser compreendida. Até que pelo menos uma única convicção possa ser vivida.

Daí-me convicções. Por favor!

Velho Marujo

Palhaços também choram

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Apagaram-se as luzes do picadeiro. O palco que dantes aspirava e inspirava risos de súbito modo jaz ao silêncio da solidão.

 A grande tenda criada para doar alegria, se sente fria ao cair da noite, ao findar de outro dia, quando aplausos, sensações, humor e crianças dormem, quando o artista se vê romper a madruga sozinho, no obscuro.

 O raiar do sol traz apenas outra dor, a de ter que ser o personagem, o mágico, a “felicidade”. A dor de ter que nascer a cada novo espetáculo e de se vê morrer após o fim deste. Após as cortinas encerrarem a alegre e solitária dramaturgia.

E é no exílio… Perdoe-me! Melhor, no camarote, que as manchas surgem, o borrão, a tinta, a máscara, é quando o artista lava o rosto nas próprias lágrimas e o espelho parece ofender, dizer, falar…

 Ofender, dizer, falar. Tudo o que artista deseja é tal liberdade, isso mesmo, ele quer brigar, xingar, gritar, gritar… Ele quer se ver sozinho, mas casado de estar sozinho do mundo, já não mais deseja a solidão, ele quer apenas estar sozinho de si mesmo, liberta-se de seu personagem, desprender-se, esvaziar-se, gritar, gritar…

 Ah! E como deve ser traumático sorrir, quando se precisa chorar, divertir, quando se quer prantear, abraçar, quando não mais se sabe o prazer de amar.

 Ah…

 Mas amanhã as luzes do picadeiro acenderão novamente, todos virão, de todos os quantos, assistirão ao espetáculo do artista. Então, cabe a ele vestir seu terno colorido, sua peruca colorida e pintar o rosto de branco, vermelho, palhaço… Fingir que essa noite foi um surto, um acaso, uma ilusão, e que não sente a dor de ser um personagem, de ter que ao invés de viver a vida, interpretar.

Velho Marujo

Nos braços do Pai!

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Pai!

 

Já perdi as contas de quantas destas escrevi, quantos foram os versos, as linhas, as folhas riscadas, quantos foram os pedidos de perdão, quantos foram aceitos em vão.

 

Talvez o dom mais precioso que me destes, não expresse a prece que tento a lhe trazer. Pulando as delongas. Pai! Já não sinto mais prazer, sinceramente tudo está tão frio aqui, me sinto tão sozinho aqui, e parece que todos os ouvidos estão surdos aos meus lamentos, os poucos que me escutam de longe não entendem. Sinto saudades de quando me entendia, me ouvia, e com voz tão doce dizia, “Vem como estás”.

 

Vem.

 

A muito sinto saudades disto, desta tal voz que clama vem, que grita em vão, que sente vontade de mim, saudades de mim, que me tem como filho, quando o mundo me tem como um bastardo, rebelde, sem causa.

 

Sinto saudades dos teus abraços, de saber que por mais que a mãe que amamenta abandone seu filho, por ventura, tu jamais abandonarias um filho teu.

 

Confesso estar deformado. Talvez tu nem mais me reconheças, não tenho mais aquele rostinho que olhava para o céu, como criança que era, acreditava na terra que emana leite, mel, sonhava em morar no céu, que sonhava ter nascido para mudar o mundo, e se não o mundo, uma boa parte dele.

 

Pai!

 

Permita-me apenas por está data, dizer-te – Papai! Meu Papai! Aba Pai!

 

Não serei hipócrita ao ponto de cobrar-te aceitação, mas sou verme o bastante para te clamar perdão.

 

Já fui filho, hoje, me sinto réu, em qual me enxergas? Não sei, mas sei que um pai, jamais esquecera do nascimento de seu filho, tu jamais esqueceras do dia em que no colo, em teus braços, disse “Este é meu filho amado, de quem tanto me comprazo”.

 

Talvez ninguém mais acredite. Na verdade quem acreditaria?  A quem diga que quando o homem sentencia, tu mostras até que ponto a tua misericórdia pode alcançar.

 

Será que existe esperança para a árvore cortada? Será que poderia um pai aceitar um filho que disse não ao seu amor? Será que existe amor após a rejeição?

 

Seja qual for a resposta de uma coisa estarei certo, de todos os momentos da minha vida, os mais felizes, indiscutivelmente, eu passei com você. E se acaso vier a falecer, fica registrado nessas poucas, a alma de um velho marujo, que cansou de navegar por mares errantes, mas que antes de partir, deixou em cartas destinadas a ninguém, tudo aquilo que um dia alguém jamais imaginou sentir, e que apesar da distancia ainda se sente como aquela criança, nos braços do pai.

Velho Marujo