Bonecos de cera

urso

O ar abafado, o fardo, clima descontrolado por aqueles que julgam ter o controle. O calor do inverno, o vento frio da primavera, outono indeterminado, o sol. Cidade fria em meio a um meio ambiente aquecido, o frio interno dos esquecidos, a massa de ar polar que vem do pólo dos corações.

Tudo em contraste com a temperatura do planeta que aumenta a guerra das camadas – do ozônio à sociedade – os esquimós daqui morrem nas mãos do verão severo, os de lá, nas mãos do prematuro descongelamento, por fim, todos morreremos pelas mãos de um destino previsível e provável.

E parece-me que todas as folhas de papel jogadas em vias públicas testemunham contra, o lixo por nós produzido rebelou-se contra seus criadores, a afronta, a torcida do contra encontra-se em considerável vantagem. Estamos à margem. Rio de amarguras e arrependimento parcial, o ponto prático do apocalipse glacial, o ártico virou praia e as praias mares de sal.

Bonecos de cera! Bonecos de cera sob o céu acinzentado do sudeste. Bonecos diante dos raios mortais da maldade estabelecida. Quarenta graus de puro ódio, rancor, vingança e orgias, quarenta graus de carnaval e uma vida vadia.

Mas, enquanto os tambores aquecem o Anhembi e a Sapucaí, os bonecos se derretem nas camas de motel, nos botecos, nos crimes, nos acidentes, nos barracões, enfim, por aí.

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