Nos braços do Pai!

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Pai!

 

Já perdi as contas de quantas destas escrevi, quantos foram os versos, as linhas, as folhas riscadas, quantos foram os pedidos de perdão, quantos foram aceitos em vão.

 

Talvez o dom mais precioso que me destes, não expresse a prece que tento a lhe trazer. Pulando as delongas. Pai! Já não sinto mais prazer, sinceramente tudo está tão frio aqui, me sinto tão sozinho aqui, e parece que todos os ouvidos estão surdos aos meus lamentos, os poucos que me escutam de longe não entendem. Sinto saudades de quando me entendia, me ouvia, e com voz tão doce dizia, “Vem como estás”.

 

Vem.

 

A muito sinto saudades disto, desta tal voz que clama vem, que grita em vão, que sente vontade de mim, saudades de mim, que me tem como filho, quando o mundo me tem como um bastardo, rebelde, sem causa.

 

Sinto saudades dos teus abraços, de saber que por mais que a mãe que amamenta abandone seu filho, por ventura, tu jamais abandonarias um filho teu.

 

Confesso estar deformado. Talvez tu nem mais me reconheças, não tenho mais aquele rostinho que olhava para o céu, como criança que era, acreditava na terra que emana leite, mel, sonhava em morar no céu, que sonhava ter nascido para mudar o mundo, e se não o mundo, uma boa parte dele.

 

Pai!

 

Permita-me apenas por está data, dizer-te – Papai! Meu Papai! Aba Pai!

 

Não serei hipócrita ao ponto de cobrar-te aceitação, mas sou verme o bastante para te clamar perdão.

 

Já fui filho, hoje, me sinto réu, em qual me enxergas? Não sei, mas sei que um pai, jamais esquecera do nascimento de seu filho, tu jamais esqueceras do dia em que no colo, em teus braços, disse “Este é meu filho amado, de quem tanto me comprazo”.

 

Talvez ninguém mais acredite. Na verdade quem acreditaria?  A quem diga que quando o homem sentencia, tu mostras até que ponto a tua misericórdia pode alcançar.

 

Será que existe esperança para a árvore cortada? Será que poderia um pai aceitar um filho que disse não ao seu amor? Será que existe amor após a rejeição?

 

Seja qual for a resposta de uma coisa estarei certo, de todos os momentos da minha vida, os mais felizes, indiscutivelmente, eu passei com você. E se acaso vier a falecer, fica registrado nessas poucas, a alma de um velho marujo, que cansou de navegar por mares errantes, mas que antes de partir, deixou em cartas destinadas a ninguém, tudo aquilo que um dia alguém jamais imaginou sentir, e que apesar da distancia ainda se sente como aquela criança, nos braços do pai.

Velho Marujo
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2 Respostas para “Nos braços do Pai!

  1. Uma das coisas que Deus não criou, Ex Pai (Ex Deus) e Ex filho, mesmo quando um filho cai, ele o chama de filho perdido. E esconde sua luz atras de usa lagrima de amor, que édifica aquele filho que pelo mundo é crusificado e te repara o interior para as deformidade serem apenas externas. E parabens por transformas sua dor em arte…

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