A Nova Face da Mesmice

Sinto que estou ficando chato. Isto, velhaco, enferrujado, carente de senso de humor, insensível. Sinto que não escrevo como antes, algo entravou na minha escrita, estou previsível, meus textos insuportavelmente lógicos, minha poesia extremamente comum.

Sinto meus pensamentos atrofiados, minha capacidade de inventar temas, ultrapassada, nem ao menos minhas composições se salvam, até a música parece tão complexa, ao o aproximar do crepúsculo meu “talento” se dizima, em partes, sou homem fragmentado e retalhado pelo caos cotidiano, a cidade tem me feito mal, talvez seja este ar impuro, o transito, o barulho… Ou, talvez seja apenas eu mesmo, que permaneço sempre o mesmo, ao invés de renovar.

E busco insaciavelmente por renovo, anseio novidades, um assunto diferente, uma discussão inédita, cansei de ser repetitivo como a Sessão da Tarde, não há nada de novo no Novo Mundo, esta tal nova ordem mundial de longe parece outro velho conceito conspiratório, o sobe e desce da bolsa permanece na eterna degola, a desigualdade continua sendo uma questão social, os políticos ainda roubam, os homens traem, as mulheres mentem, e a humanidade ainda insiste em criar um método eficaz para o cataclismo global, em suma, nada há para se contar, tudo o que é, já foi, e tudo o que já foi outra vez há de vir.

Sabe, deve ser por isso que me sinto assim, como quem nada tem para dizer, pois parece que tudo o que disse, já foi dito por alguém, e que no fundo todo mundo sente o mesmo.  É a nova face da mesmice, um novo conceito de reencarnação, no qual até o que no presente escrevemos é velho, tudo já foi escrito por alguém ou por nós mesmos em outra vida, tudo o que acabo de escrever já estava escrito, apenas vivo um momento de djavú literário, em mim não há talento, apenas psicográfico as lamurias e as repetições de outrem. Mas, se tal coisa for assim, qual a graça da vida? E a imprevisibilidade? E o acaso? Não, prefiro acreditar que uma novidade existe e que, infelizmente ainda não raiou que, há algo novo para ser feito e que, o livre-arbítrio continua sendo a base fundamental para a liberdade.

Há uma estória que ninguém nunca contou, há um livro que ninguém nunca leu, há uma poesia que ainda jamais foi escrita. Ainda há novidades, basta-nos inovar!

Velho Marujo
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16 Respostas para “A Nova Face da Mesmice

  1. Mano que texo monstro!!!

    Cara, lindo escrito, mais uma vez o velho se mostra em alto requinte. Man tbm prefiro acreditar em algo novo, algo bom, ainda virgem. Quero sair dessa metaformose da mesmice, do ciclo donde tudo permanece igual. Percebi que as coisas são imutáveis e que talvez cabe a nós interpretar algo novo. Sempre com força, fé e amor.

    Parabéns mestre!

  2. Pois é, meu amigo…Natural essas fases de monotonia.

    Como tá em Eclesiastes, 1: 9-10:

    O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.

    Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós“.

    Mas isso é ilusório. Diariamente a vida se renova. O ciclo é inesgotável- estamos em constante renovação.

    O que precisamos é romper a inércia.

    Como disse poeta soviético Maiakovsky:

    -Dai-nos, camaradas, uma arte nova!

  3. Dizem que quanto mais velho mais maduro e tolerante. Concordo em parte, hoje me vejo mais madura, contudo, bem mais, muito mais intolerante… será que sou exceção? Percebo aqui que não.

    Quanto à escrita, todos passamos por período de inércia criativa, acho que também estou passando por ela. Queremos a originalidade, mas como disse Mark Twain “Adão tinha muita sorte quando dizia algo diferente e sabia que ninguém havia dito antes”. Agora nós, meu amigo, nos enquadramos no que diz Millor Fernandes “Todo homem nasce original e morre plágio.”

    “E busco insaciavelmente por renovo, anseio novidades, um assunto diferente, uma discussão inédita, cansei de ser repetitivo como a Sessão da Tarde, não há nada de novo no Novo Mundo” Infelizmente vamos construímos nossos pensamentos em cima de alicerces já arquitetados, edificados…. Revolução de pensamentos, é disso que precisamos… Também estou cansada de ler aqui e ali a mesma coisa com palavras diferentes…mesmice, mesmice, mesmice! E que frustrante quando nos deparamos com algo nosso, tomando forma na escrita de outro – será idéias parecidas, plágio, intertextualidade sem referência?

    “Há uma estória que ninguém nunca contou, há um livro que ninguém nunca leu, há uma poesia que ainda jamais foi escrita. Ainda há novidades, basta-nos inovar!” Essas palavras me motivaram… ainda é possível!

    Marli

    • “Também estou cansada de ler aqui e ali a mesma coisa com palavras diferentes…mesmice, mesmice, mesmice!”

      Marli,

      Não sei o que dizer, mas é “bom” saber que existem outros tantos com o mesmo sentimento.

  4. Pingback: A NOVA FACE DA MESMICE « PALAVRAS RABISCADAS

  5. Passando para prestigiar as abençoadas postagens e propor uma parceria, tenho uma Web Rádio que durante 24hs Toca na net hinos avivados, orações, reflexões e mensagens edificantes.
    Que tal ter o player da mesma tocando aqui no seu blog?

  6. Que grata surpresa encontrar o seu blog. Parabéns por seu conteúdo e proposta.

    Permita-me lhe incentivar a prosseguir na árdua tarefa de defender os valores do Reino de Deus.

    Aproveito para convidar-lhe a conhecer o meu blog, e se desejar também segui-lo, será um prazer.
    Seus comentários também serão sempre bem-vindos lá.

    http://www.hermesfernandes.com

    Conto com você!

  7. Nunca me identifiquei tanto com uma crônica kkkkk essas crônicas são líricas né? Ainda nem to no Ensino Médio e não consigo distinguir a diferença da poética e a lírica. Obg Parabéns gostei muito

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