Frases de Guimarães de Rosa

Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria… Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos… Essa… a alegria que ele quer

Tudo o que muda a vida vem quieto no escuro, sem preparos de avisar

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..

Rezar muito e ter fé. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus.

Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos.

Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.

Esperar é reconhecer-se incompleto.

Para ódio e amor que dói, amanhã não é consolo.

O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo.

Quem sabe direito o que uma pessoa é?Antes sendo:julgamento é sempre defeituoso,porque o que a gente julga é o passado.

Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo. Uma coisa, a coisa, esta coisa: eu somente queria era – ficar sendo!

O que não é Deus, é estado do demônio. Deus existe mesmo quando não há.Mas o demônio não precisa de existir para haver.

Sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o lugar. Viver é muito perigoso…

1. Sou figura reduzida e de pouco aparecimento. 2. Quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa. 3. Quem rala no aspro não fantaseia.

Fino, estranho, inacabado, é sempre o destino da gente

É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado.

Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo.… Eu quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa.

Saudade é ser, depois de ter.

O rio não quer chegar a lugar algum, só quer ser mais profundo

Quando nada acontece há um grande milagre acontecendo que não estamos vendo.

Viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicado à ela

Quem muito se evita, se convive

Duas de Cinco – Por Criolo

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

É o cão, é o cânhamo, é o desamor
É o canhão na boca de quem tanto se humilhou
Inveja é uma desgraça
Alastra ódio e rancor
E cocaína é uma igreja gringa de Le Chereau
Pra cada rap escrito uma alma que se salva
O rosto do carvoeiro é o Brasil que mostra a cara
Muito blá se fala e a língua é uma piranha
Aqui é só trabalho
Sorte é pras crianças
Que vê o professor em desespero na miséria
Que no meio do caminho da educação havia uma pedra
E havia uma pedra no meio do caminho
Ele não é preto véio
Mas no bolso leva um cachimbo
É o sleazestack do zóio branco
Repare o brilho
Chewbacca na Penha
Maizena com pó de vidro
Comerciais de Tv
Glamour pra alcoolismo
E é o kinect do Xbox por duas buchas de cinco
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Chega a rir de nervoso
Comédia vai chorar

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

E eu fico aqui pregando a paz
E a cada maço de cigarro fumado a morte faz um jaz entre nós
Cá pra nós, e se um de nós morrer
Pra vocês é uma beleza
Desigualdade faz tristeza
Na montanha dos sete abutres alguém enfeita sua mesa
Um governo que quer acabar com o crack,
Mas não tem moral pra vetar comercial de cerveja
Alô, Focault, cê quer saber o que é loucura?
É ver Hobsbawm na mão dos boy, Maquiavel nessa leitura
Falar pra um favelado que a vida não é dura
E achar que teu 12 de condomínio não carrega a mesma culpa
É salto alto, Md, absolut, suco de fruta
Mas nem todo mundo é feliz nessa fé absoluta
Calma, filha, que esse doce não é sal de fruta
Azedar é a meta
Tá bom ou quer mais açúcar?
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Chega a rir de nervoso
Comédia vai chorar

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

Criolo

Aos Olhos de Uma Criança – Por Emicida

Menino, mundo, mundo, menino (x8)

Selva de pedra, menino microscópico
O peito gela onde o bem é utópico
É o novo tópico meu bem
A vida nos trópicos
Não tá fácil pra ninguém
É o mundo nas costas e a dor nas custas
Trilhas opostas, ‘la plata’ ofusca
Fumaça, buzinas e a busca
Faíscas na fogueira bem de rua, chamusca
Sono tipo ‘slow blow’, onde vou vou
Leio vou, vo, e até esqueço quem sou, sou
Calçada, barracos e o bonde
A voz ecoa sós mas ninguém responde
Miséria soa como pilhéria
Pra quem tem a barriga cheia, piada séria
Fadiga pra nóis, pra eles férias
Morre a esperança
E tudo isso aos olhos de uma criança

Gente, carro, vento, arma, roupa, poste
Aos olhos de uma criança
Quente, barro, tempo, carma, roupa, nóis
Aos olhos de uma criança
Mente, sarro, alento, calma, moça, sorte
Aos olhos de uma criança
Sente o pigarro, atento, alma, louça, morte
Aos olhos de uma criança

É café, algodão, é terra, vendo o chão é certo
É direção afeta, é solidão, é nada (é nada)
É certo, é coração, é causa, é danação, é sonho, é ilusão
É mão na contra mão, é mancada
É jeito, é o caminho, é nóis, é eu sozinho
É feito, é desalinho, perfeito carinho, é cilada
É fome, é fé, é os home, é medo
É fúria, é ser da noite é segredo, é choro de boca calada
Saudades de pá, pai, quanto tempo faz, a esmo
Não é que esse mundo é grande mesmo
A melodia dela, do coração, tema
Não perdi seu retrato
Tipo adoniran em iracema

São lágrimas no escuro e solidão
Quando o vazio é mais do que devia ser
Lembro da minha mão na sua mão
E os olhos enchem de água sem querer

Aos olhos de uma criança
Gente, carro, vento, arma, roupa, poste
Aos olhos de uma criança
Quente, barro, tempo, carma, roupa, nóis
Aos olhos de uma criança
Mente, sarro, alento, calma, moça, sorte
Aos olhos de uma criança
Sente o pigarro, atento, alma, louça, morte
Aos olhos de uma criança

Menino, mundo, mundo, menino (x8)

Emicida

O Ciúme – Por Bocage

Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume,
O carrancudo, o rábido Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.

Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.

Pelas terríveis Fúrias instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides toucado.

Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!… Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea trança.

Bocage

Roda Vida – Por Chico Buarque de Holanda

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)

Chico Buarque de Holanda