Alguns Pensamentos – Por Elo da Corrente

 

Eu vago num pedaço de mundo feito de sonhos,
Deposito minhas fichas no ser humano risonho,
É primavera, verão, outono ou inverno,
E a angústia da terra não me aceita sendo eterno,
A vida já se amarga pelo fato da sobrevivência mas eu escrevo pro tempo com eloquência,
Mostrando transparência e clareza de pensamento, fazendo o possível para ver o crescimento,
Daquele que nem sempre têm a oportunidade,
Minha verdade é só minha e têm simplicidade,
Minha compreensão invade os ouvidos do alheio,
E faz com que medite crendo que o mundo está cheio de quem não move uma palha para mudança,
E quem não se segura, e no abstratismo da esperança,
Fazer alguém sofrer é como sentir dor, fazer sofrer a si próprio é uma demonstração de amor,

Refrão 2x
Eu sigo minha sina por crêr no que eu vejo,
E sinto que o que penso me traz mais um desejo,
Aquele que melhore a visão cotidiana,
E julgue a minha arte muito menos insana

Idéia e poesia nascem de um só instante de inspiração,
Com cinco traços, risco os dedos representando a mão,
A mesma que é estendia ao amigo em sinal de apoio moral,
Um gesto sincero vindo de um coração puro é mais que natural,
É proporcional ao que é sentido em todos os momentos,
A boca fala do que o coração tá cheio, seria bom se todos levassem em conta esse pensamento,
Mediante a fé minha convicção cresce,
O sentimento de uma nova forma de vida me rejuvenesce,
Em cada prece rezo oração, agradeço a DEUS por SUA segurança e proteção,
Meu desejo de superação é maior que qualquer barreira,
A felicidade está dentro de cada um e a tristeza não passa de mera situação passageira,
Vale lembrar que tristeza é coisa pra ser esquecida, e felicidade é não saber frear as lágriamas diante das coisas boas da vida,
Lágrimas risonhas que mantêm minha motivação,
O ELO é isso, o rap pra mim não é só um compromisso é coisa que faço de coração

Refrão 2x
Eu sigo minha sina por crêr no que eu vejo,
E sinto que o que penso me traz mais um desejo,
Aquele que melhore a visão cotidiana,
E julgue a minha arte muito menos insana

Longe de tudo mas não de si mesmo,
Tô pouco me fudendo se acham que o que faço é a esmo,
Sou palhaço, sou sim, e adoro meu picadeiro,
Independente do nariz vermelho nunca vou deixar de ser verdadeiro,
Gratidão e respeito de um modo eclético,
Já que a minha jogada é certa num modo poético,
Eulírico, empírico nem é tão importante,
Desde que minha rima nunca se torne massante,
Super-interessante, escrita de um modo sensato,
Não é por que eu sorrio que o meu som deve ser chato,
Poeta nato, mas não delato o meu plano,
Rhima-Rhara all-stars, nesse baralho eu sou o arcano.

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Duas de Cinco – Por Criolo

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

É o cão, é o cânhamo, é o desamor
É o canhão na boca de quem tanto se humilhou
Inveja é uma desgraça
Alastra ódio e rancor
E cocaína é uma igreja gringa de Le Chereau
Pra cada rap escrito uma alma que se salva
O rosto do carvoeiro é o Brasil que mostra a cara
Muito blá se fala e a língua é uma piranha
Aqui é só trabalho
Sorte é pras crianças
Que vê o professor em desespero na miséria
Que no meio do caminho da educação havia uma pedra
E havia uma pedra no meio do caminho
Ele não é preto véio
Mas no bolso leva um cachimbo
É o sleazestack do zóio branco
Repare o brilho
Chewbacca na Penha
Maizena com pó de vidro
Comerciais de Tv
Glamour pra alcoolismo
E é o kinect do Xbox por duas buchas de cinco
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Chega a rir de nervoso
Comédia vai chorar

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

E eu fico aqui pregando a paz
E a cada maço de cigarro fumado a morte faz um jaz entre nós
Cá pra nós, e se um de nós morrer
Pra vocês é uma beleza
Desigualdade faz tristeza
Na montanha dos sete abutres alguém enfeita sua mesa
Um governo que quer acabar com o crack,
Mas não tem moral pra vetar comercial de cerveja
Alô, Focault, cê quer saber o que é loucura?
É ver Hobsbawm na mão dos boy, Maquiavel nessa leitura
Falar pra um favelado que a vida não é dura
E achar que teu 12 de condomínio não carrega a mesma culpa
É salto alto, Md, absolut, suco de fruta
Mas nem todo mundo é feliz nessa fé absoluta
Calma, filha, que esse doce não é sal de fruta
Azedar é a meta
Tá bom ou quer mais açúcar?
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Hahahahahahaha
Chega a rir de nervoso
Comédia vai chorar

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

Compro uma pistola do vapor
Visto o jaco califórnia azul
Faço uma mandinga pro terror
E vou

Criolo

Aos Olhos de Uma Criança – Por Emicida

Menino, mundo, mundo, menino (x8)

Selva de pedra, menino microscópico
O peito gela onde o bem é utópico
É o novo tópico meu bem
A vida nos trópicos
Não tá fácil pra ninguém
É o mundo nas costas e a dor nas custas
Trilhas opostas, ‘la plata’ ofusca
Fumaça, buzinas e a busca
Faíscas na fogueira bem de rua, chamusca
Sono tipo ‘slow blow’, onde vou vou
Leio vou, vo, e até esqueço quem sou, sou
Calçada, barracos e o bonde
A voz ecoa sós mas ninguém responde
Miséria soa como pilhéria
Pra quem tem a barriga cheia, piada séria
Fadiga pra nóis, pra eles férias
Morre a esperança
E tudo isso aos olhos de uma criança

Gente, carro, vento, arma, roupa, poste
Aos olhos de uma criança
Quente, barro, tempo, carma, roupa, nóis
Aos olhos de uma criança
Mente, sarro, alento, calma, moça, sorte
Aos olhos de uma criança
Sente o pigarro, atento, alma, louça, morte
Aos olhos de uma criança

É café, algodão, é terra, vendo o chão é certo
É direção afeta, é solidão, é nada (é nada)
É certo, é coração, é causa, é danação, é sonho, é ilusão
É mão na contra mão, é mancada
É jeito, é o caminho, é nóis, é eu sozinho
É feito, é desalinho, perfeito carinho, é cilada
É fome, é fé, é os home, é medo
É fúria, é ser da noite é segredo, é choro de boca calada
Saudades de pá, pai, quanto tempo faz, a esmo
Não é que esse mundo é grande mesmo
A melodia dela, do coração, tema
Não perdi seu retrato
Tipo adoniran em iracema

São lágrimas no escuro e solidão
Quando o vazio é mais do que devia ser
Lembro da minha mão na sua mão
E os olhos enchem de água sem querer

Aos olhos de uma criança
Gente, carro, vento, arma, roupa, poste
Aos olhos de uma criança
Quente, barro, tempo, carma, roupa, nóis
Aos olhos de uma criança
Mente, sarro, alento, calma, moça, sorte
Aos olhos de uma criança
Sente o pigarro, atento, alma, louça, morte
Aos olhos de uma criança

Menino, mundo, mundo, menino (x8)

Emicida

A Última Carta

 

Pela derradeira vez meu sangue

Assinará os velhos papéis amarelos,

Assim que está tiver seu desfecho

Darei as traças às folhas borradas de lágrimas.

Prometo escrevê-la apenas por está vez

E queimarei as obras que tu me inspiraste,

Aquieta-te, pois teu nome não virá à luz,

Nas trevas da minha memória, ali pousará em paz.

Apenas peço, aquieta-te,

E por está última vez desfrute meus versos

Já que ao desfazer desta tarde não mais irá Lê-los.

Beberei o vinho que guardara para as núpcias

E me embriagarei de lembranças e bons momentos.

Prometo que tua boca

Não mais, nunca mais,

Tocará meus lábios

E teu corpo jamais voltará

A sentir o prazer

De estar junto ao meu.

Aquieta-te

E pense que poderia ter sido diferente

Mas, entre a gente,

Fica apenas a expectativa de um depois…

VelhoMarujo

Outra vez, nós

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Escrever-te-ia sobre nós

Mas nós estamos distantes

Ao avesso dos amantes

Na garganta vários nós.

 

Escrever-te-ia sobre nós

Mas sinto a foz no peito

A voz tremula causa efeito

Não mais juntos, a sós.

 

Escrever-te-ia meu sonho

E cantá-lo-ia em alto coro

Sem senso ou decoro

Seria a gente sendo nós.

 

E se voltarmos a ser nós

Recitar-te-ei meus versos

Apenas não zombe, te peço,

Se sem jeito ficar após.

Velho Marujo

Idas e Voltas – Por Velho Marujo

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Filho volta!

Vi tuas idas

Alegrei-me com tuas voltas

Voltei-me para ti

Quando tu de mim

Te afastas-te.

Derramei-me em lágrimas

Quando vi teu rosto

Molhado e distante.

E se distanciei-me

Foi para que com a tristeza

Da tua partida

Pudesse dançar ao ver

Teus pés sujos

Correrem ao meu reencontro.

Volta!

Ainda que esta volta

Dure apenas o tempo

De outra ida,

A cada vinda sua

Uma saudade a menos se vai.

E a cada nova partida

Um sonho a mais aparece,

O sonho de ver-te

Voltar outra vez

Aos cuidados de teu Pai.

Amo-te.

E amar para mim

É mais que as flores

Que vós homens presenteiam.

Amar é despetalar

A primavera das flores

Para fazer dos espinhos,

A coroa do rei

Que dá a sua vida

Por amor aos servos seus.

Volta!

Ainda que esta volta

Dure apenas o tempo

De outra ida.

Ainda que esta ida

Seja a morte do teu cantar

Ainda que por essa partida

Não mais te veja voltar.

Velho Marujo